quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Como nada falta?
seríamos então infelizes se nada mais
houvesse a buscar e a completar
Sempre falta.

O entre não pode ser o melhor lugar,
porque o entre simplesmente não é nada
E o que temos, e amamos ter,
nem conhece o nada, são estranhos um ao outro
eu nem gosto de nomear, apesar de às vezes
querer inventar apelidos
e para mim o entre é nada
e o que temos, e amamos ter,
é tanto

Acho inclusive engraçado que nosso tanto
não seja uma coisa, nem outra, mas tantas
ao mesmo tempo.

E é com isso que durmo feliz, que gosto de imaginar
mil histórias e quem sabe por sorte
outra vez, com você sonhar.
Malditas Vogais

Omar não se conformava,
as santas letras do seu nome
em nada o ajudavam
substantivo abstrato infeliz, tão parente
tão distante

disse-lhe um mal amigo
que a culpa mesmo era do nome:
"Não se pode quase chamar"
Omar lamentou que não pudesse
com sua mãe reclamar
pois quando saiu pra vida, ela ao contrário a perdeu

disse-lhe uma tia
que assim era chamado
pois fora o último desejo da irmã
antes de descansar.

Omar passou então, pela vida assim,
casou sem amar, não foi amado pelos filhos
e em troca, amor não lhes deu
amantes e bons amigos tão pouco houveram
porque seu nome não deixava
"mãe maldita"-recitava todos os dias
antes de se deitar.

fim da linha, finalmente.
nem jovem, nem ancião,
deixou o mundo sem amar

e eis que sua mãe, perdoou;
antes de para sempre os olhos fechar e nunca mais nada ver
o que viu, foi o mar

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

à deus

não tem mais conserto, nem jeito não dá
troquei de lugar no seu quarto, será...
que nunca foi minha, que era fantasia
de sonho acordado, bordado em ouro
era um tesouro do mapa apagado
a jóia era falsa, o erro foi meu
amor desbotado
deixou sua tinta
e adeus.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sem vida

De uma morte casual, morreu um amor acabado

atropela o orgulho, ao lixo foi-se a paixão
desesperado rapaz jogou-se ao vento deserto;
sozinho no vendaval, perdeu o dia e o brilho.
Era um sol invernado; por nuvens todo coberto,
mas aquecido, quem dera, era gelado por dentro
com peito cheio e vazio
de arrepio fez-se quieto
tormenta afora pudera torná-la pura e sombria.
A sombra diz que não era
o seu transtorno vadio
a água cobriu a favela, não tinha nem moradia.

E o rapaz morreu cedo, sem luz, amor, cama quente;
o vendaval o deixou casualmente sem vida.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

parti sem voz para encontrar
pelo que lutar
cai no chão que era um mar, vermelho dor
trombei um mundo com saudades de viver e rasguei o pano que cobria meus olhos.
virei a equina sem saber onde cheguei.
e que surpresa foi, quando sem nada acreditar
jovem rapaz de olhos molhados, diz-se deus.
sentado em pedras, desistira de tentar
a liberdade que faltou-lhe pra crescer.
dessa imagem tirei uma breve conclusão
não, mentira feia, não cheguei a concluir...
Mas decidi seguir tentando

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fogo de fumaça, cachaça de gole
o mundo vai correndo pro lado que não é
cruzo o viaduto laço uma favela
tem ave por aí querendo andar a pé

Nasco em frente à passarela
cheia de outras gentes
cabe em todo meu caminho
vida fome e fé
assembléia a cada esquina promentendo o céu
e o mundo vai andando pro lado que não é

convive na cidade, escondida por carros
um rio que não dá peixe, com cheiro vagabundo
e em passo por passo, o mundo se arrasta se dirigindo sempre
pro lado que não é

Já todo fim de dia o povo vai cansado
à casa que o espera, à vida que formou
à noite sonha que tem janta e que está empregado
o mundo está parado
ninguém sequer notou

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ainda não percebi se a greve me tirou ou me colocou em frente à realidade.