terça-feira, 24 de julho de 2012

tristeza se enquadra e espanta
formato que não conheço
apenas assisto tristonha
e se assistir assim me faz
faço dela singular
e então ela é só instante,
compartilhada,
itinerante

a tristeza vez em quando
aparece com razão      (lá em casa)
mas o amor,
de mais coragem,
faz do broto; a folha,
um grão
pueira que arde o olho
mas lágrima aqui não cai
assopro, voa pra longe
distrai, mas não me atrai

sigo em frente rumo ao norte
do sul que não me valeu
pra lá é que o Santo ajuda
quem guarda, morre de dor




eu tenho tristezas
mas não as deixo
se fazerem de mim

quinta-feira, 1 de março de 2012

confundo agonia e alegria
somente em músicas
músicas que falam de alegria e agonia
rara confusão compreensível
dá até vontade de colocar um acento circunflexo
mas não, não é uma paroxítona terminada em ditongo
inclusive com as novas regras...
vai saber quais são as regras

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

http://www.youtube.com/watch?v=y7uzYxUe6Q8
http://www.youtube.com/watch?v=df-eLzao63I
fui do amar impossível
fui do sem ar
sem abrigo

fui de matéria improvável
esquema esqueço
incansável

fui derramar nú
num livre
vão
livro
listado

nesse senão aguardado
no expressar
no desvio

fui quase nada
roubada
áspero ser
sem saída

quinta-feira, 7 de julho de 2011

fui lá e abri
não pensei, hesitei, pisquei, nem nada
fui lá e abri a porta
entrei sem olhar, pesquisar, espiar
só entrei

então quando lá eu estava no primeiro segundo, instante
gritei até não ouvir nada

dancei
acompanhando o grito
dancei até cair no chão
lá dentro,depois da porta

no chão, já sem gritar,
eu dormi
dormi dançando
e não me perguntem como,
provavelmente sonhava com o grito
que ainda há pouco me fizera surda

de passo em passo, no sonho gritante
encontrei um porta
abri
entrei
gritei
dancei
dormi
sonhei
com uma porta

quarta-feira, 6 de julho de 2011

a grama
no morro pelado
cortado,
ferido,
desfigurado

a grama
plantada,
forjada,
fajuta,
juntada
ao morro sagrado

pra quem?

terra na estrada
asfaltada
e o piche
no chão apagado

quem dera
calçassem os carros
de pele,
sentido
ou nada